Bom Peverso


Meu bom samaritano
Por que o medo?
Chegue mais perto
Toque meu rosto.

Não sou tão perversa quanto tento
Nem tão boa quanto tu me acha
Está escuro aqui
A luz me ofusca, a luz do escuro
Mas lá fora esse breu me corrói
Faz-me ter aqueles pensamentos maus.

Isso não diferencia nada agora
Não tenho todo o tempo do mundo
Meus papéis estão amarelados
Vejo gotas de sangue pelo chão.

Os livros estão bagunçados
Não é como deixei 
Por que perdi o controle?
Por que não posso tocar-los?
Por que não toco em você?

Ando pelas ruas, mas ninguém me vê
Grito nas avenidas
Mas só ouço meu próprio eco
Algo está presente
Distante
De mim, de você.
Algo talvez tenha morrido
Ou eu, ou meu inconsciente
Meio inconsistente.