Leio minha poesia em voz alta
Para espantar os demônios e a morte
Recito esse meu pensar para quem queira ouvir
Mesmo que esteja distante de mim.
Fico sozinha e crio igual louca
Minha alma poética sente-se afoita
Deveria estar na rua
Bebendo, cantando, gritando
Mas meu grito é contido
Quase calado.
Grito para a família
Religião e para o governo
Grito para esse amor sorrateiro
Não preciso enfurecer para ser eu.
Além da rua
Sou nostalgia
Boemia de matinê
Chego as nove, durmo cedo
Preciso obedecer
Ordens impostas por cegos
Surdos insanos
Homens do poder.
Me aprisionaram nessa gaiola
Mas ainda posso fugir
Só morro de verdade
Quando não puder mais escrever.